Sopa de Letras

Encontro com Fernando Sabino: a falta que ele faz!
Quando me perguntam quais romances foram os mais importantes em minha vida, incluo sempre - sem pestanejar - "O Encontro Marcado", de Fernando Sabino. Claro que depois li muitos outros romances que considero (eu e a torcida do Flamengo) mais elaborados, esteticamente mais importantes - como "Grande Sertão, Veredas"; ou "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Mas nada me marcou tanto como (perdoem o pleonasmo) o "Encontro Marcado". Por isso, fiquei comovido quando recebi nesse dia 12 de outubro o e-mail do leitor Rafael Rodrigues, com link para um site que presta justa homenagem ao Fernando Sabino. O site chama-se "A falta que ele faz" - http://afaltaqueelefaz.com.br/. Tem boas entrevistas, e artigos sobre Sabino. Neste dia 12 de outubro de 2009, o escritor mineiro completaria 86 anos de idade. Viva Fernando Sabino, um brasileiro que sabia contar histórias!
Benedetti está morto; vamos ler mais Benedetti
Há três semanas, a leitora Elisabeth Otero vinha-me mantendo atualizado sobre o estado de saúde de Mario Benedetti, o longevo escritor uruguaio. Aos 88 anos, ele passou alguns dias internado em Montevidéu, no começo desse mês. Logo, Elisabeth mandou notícia tranquilizadora, dando conta de que Benedetti tinha recebido alta. Hoje, ela enviou outra notícia, triste e definitiva: Benedetti se foi. Criei por ele uma afeição imensa e tardia, que procurei explicar num texto, publicado aqui no blog, no início de abril. No dia da morte deste gênio das letras, acho que o melhor a fazer é não escrever mais nada sobre ele. A melhor homenagem é seguir lendo a obra de Benedetti. Vou começar agora, com "Primavera num espelho partido".
Zweig e o Brasil: país do futuro ou país do Fouché?
"Joseph Fouché", de Stefan Zweig, é leitura fácil e saborosa. Autor de ótimas novelas, mas amante também das biografias, Zweig traça aqui o perfil desse político francês que teve papel primordial durante a Revolução. Fouché sobreviveu ao terror e à guilhotina, porque dominava como ninguém a arte de trair na hora certa. Era um homem fiel apenas à própria sobrevivência política. Fouché, no Brasil, ficaria tonto com tanta concorrência. Quanto a Zweig, este era um humanista sem partido, Judeu, teve que fugir de seu país quando Hitler anexou a Áustria. Podia escolher qualquer lugar do mundo pra viver. Escolheu o Brasil -onde se matou em 1942.
A prosa comovente do uruguaio Mario Benedetti
Acabo de ler o belíssimo romance “A Trégua”, de Mario Benedetti. É prosa da melhor qualidade – serena e comovente. Muito longe de ser um crítico literário, falo aqui como simples leitor. Benedetti não tem a grandiloqüência de outros autores latino-americanos. Não espere dele a verborragia de Vargas Llosa, nem as tiradas fantásticas de Garcia Marques. A realidade basta ao velho uruguaio. Frases curtas, ditas nos cafés, nos escritórios e nas ruas de Montevidéu, são o suficiente para compor a trama. Ler Benedetti é viajar por Montevidéu. Benedetti e o Uruguai merecem ser conhecidos.

 

Escrevinhador por Rodrigo Vianna