Radar da Mídia

O ataque da "Folha" e a resposta de Nassif
Soninha tira a roupa, e jornalismo da "Folha" fica nu
Como eu deixei de assinar a "Folha" há quase um ano, só bem tarde da noite desta terça-feita é que fiquei sabendo que um colunista do jornal da família Frias usou espaço que já foi nobre, na página 2, para atacar humildes blogs na internet. O colunista em questão é o Fernando Barros e Silva. O colunista desceu o sarrafo na rede. Segundo ele, a internet é um ambiente tomado por uma "horda de mercenários e linchadores - analfabetos morais que agem como filhotes de Miriam Cordeiro". Ele ficou nervoso demais! Até esqueceu que foi o jornal dele quem publicou outro dia artigo de um tal Cesinha - acusando o presidente da República de tentar "currar" um colega de prisão. Atitude - essa do jornal - de uma grandeza moral sem precedentes. Mas o problema aqui é outro. Acho que o Serra ligou pra reclamar das fotos, deve ter sido isso!
Vereza e Jô: vídeo de 2006 mostra como eles babam!
Clima de comício no estúdio da TV Globo, em São Paulo. O ator Carlos Vereza é o entrevistado de Jô Soares. Estamos em maio de 2006: Lula prepara-se para disputar a reeleição contra Alckmin. Carlos Vereza toma a ofensiva, e de cara dá os parabéns a Jô pela "tribuna livre" representada pelas "meninas do Jô" (aquele "debate" em que as "analistas" convidadas concordam em tudo, e concordam principalmente com a linha oficial baixada pelo comitê central da Globo). Jô Soares pergunta se Vereza apoiou Regina Duarte quando, em 2002, ela dissera que tinha "medo" da vitória de Lula. "O medo dela era muito menor em relação ao que aconteceu", diz o gordo. Vereza completa: "muito menor, eu apoiei a Regina." Vereza explica que em 2002 apoiou Serra, a "verdadeira esquerda". Quatro anos depois, eles babam com mais raiva ainda.
Criada a ALTERCOM - associação da "outra" mídia
Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação. Esse foi o nome aprovado no sábado, para a entidade que deve reunir editoras, sites, produtoras de vídeo, de rádio, revistas, jornais, blogueiros, agências de comunicação e tantos outros que não se sentem representados pelo condomínio comandado por Abril/Globo/Folha/Estadão, nem tem peso econômico para atuar junto às grandes teles. O nome fantasia da nova associação será ALTERCOM. A entidade é fruto de quase seis meses de debate. Mais que tudo, é fruto da experiência concreta. A ALTERCOM surgiu como resultado das articulações inciadas durante a Confecom - Conferência Nacional de Comuncação.
Seminário discute entidade da mídia progressista
Empresários, estudantes, representantes de movimentos sociais e profissionais da área da comunicação reúnem-se neste sábado (27), a partir das 9 horas, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, para um seminário que discutirá a criação de uma entidade nacional de empresas do campo progressista. O encontro debaterá os princípios e objetivos que devem orientar a nova entidade, os conceitos de imprensa alternativa, popular, livre e independente e o conceito de contra-hegemonia, liberdade de imprensa e liberdade de expressão, e a construção coletiva de uma comunicação contra-hegemônica. O Seminário terá início com uma mesa redonda, seguida de amplo debate entre os presentes.
"O Globo" ainda pensa que é um jornal, mas é piada
No lobby do hotel, no Rio, leio “O Globo”. Demoro pra perceber que é o jornal de ontem Os jornais – de uma forma geral - estão tão envelhecidos que quase não há diferença entre ler o jornal de hoje ou de ontem. É tudo velho. Mas vale como humor. A página de “Opinião” do velho diário carioca é quase inacreditável. Na última segunda, havia 3 artigos. Vejam só: Ives Gandra, Denis Rosenfeld (os dois batendo no Plano de Direitos Humanos), além de um ta de Paulo Guedes a comemorar a vitória da direita no Chile. “O Globo” está à direita de Gengis Khan. Parece a página do professor Hariovaldo. A única coisa séria em “O Globo” é o Agamenon aos domingos. O resto é o resto. Um amontoado de munição para os senhores da classe média carioca empunharem em seus renhidos debates, durante os jogos de dominó. “O Globo” não consegue ser sutil. É uma piada.
"Empresário" usou método Arruda pra votar na Confecom
O método José Roberto Arruda de votação faz escola na Conferência de Comunicação. Mas foi desmascarado por uma tabelinha Escrevinhador/Cidadania.com. Um sujeito, com crachá azul (dos empresários), votava com duas maquininhas ao mesmo tempo. Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com, fotografou. Pedimos questão de ordem, requisitando a recontagem de votos, e a retirada do sujeito do plenário. Tenho o nome dele anotado, mas preferi não divulgar porque provavelmente ele fazia isso a mando de alguém, deve ser um funcionário trazido à Confecom para votar de acordo com o que manda o patrão. O "método Arruda" não tira a legitimidade da Confecom - que sinalizou, sim, muitos avanços. É simbólico que parte dos empresários use os métodos de Arruda e do Dem. Eles se merecem!
Vitória: Confecom aprova o Conselho de Comunicação
A Conferência Nacional de Comunicação propôs a criação de um Conselho Nacional de Comunicação. Trata-de de uma vitória histórica. A "Globo" e a "Veja" vão dizer que o Brasil agora caminha para o chavismo! He, he. Azar deles. Quem mandou fugir do debate, e não participar da conferência. Em países capitalistas avançados, há órgâos reguladores para impor limites aos abusos da mídia. No Brasil, agora, há mais chance de isso ocorrer. Os grandes meios de comunicação temem qualquer forma de fiscalização ou controle. Mas depois de muita negociação, a conferência conseguiu aprovar a proposta de se criar o tal Conselho. Isso agora (como quase tudo que é aprovado na Confecom) depende da pressão social para ser votado no Congresso Nacional. Mas, com a chancela da Confecom, fica mais fácil.
Lula manda CUT baixar cabeça pra agradar empresários
A Band - como escrevi na matéria logo ao lado - ameaçou sair da Confecom. Queria regras que garantissem vetos a propostas polêmicas na Conferência de Comunicação. Sabem o que o governo Lula fez? Pressionou movimentos sociais a aceitar as mudanças. CUT (apoiada pela FENAJ - a federação sindical dos jornalistas), FNDC e outros mudaram seus votos na comissão - cedendo aos "apelos" do governo e da Band. O presidente Lula fez um discurso morno na cerimônia de abertura. "Lamentou" que alguns atores ("Globo") tenham preferido se ausentar. Mas perdeu a chance de fazer um discurso histórico, na linha do que marcou o lançamento do pré-sal. Lula teme os donos dos meios de comunicação. Foi ele que deu a ordem para que a Band fosse atendida em tudo. Lula não gosta de confronto. E a CUT não gosta de desagradar o Lula.
"Bandeirantes" ameaçou "melar" a Confecom
O Grupo Bandeirantes exigiu direito de veto nos grupos de trabalho (GTs) que vão selecionar as propostas para a plenária final na Confecom - a Conferência de Comunicação, que acontece aqui em Brasília. Isso não está previsto nas regras. Mas eles querem. Estão acostumados a mandar. E pronto! O governo cedeu. Negociou nos bastidores. Isso porque é a Bandeirantes. Imaginem como seria o jogo se a Globo estivesse aqui? O governo Lula aposta em negociar, sempre. É um grande mérito. Mas dar essa moral toda aos Saad já é demais. Em vez de debater comunicação, quase dois mil delegados ficaram no plenário, olhando a Ivete Sangalo a requebrar no telão. Sabe-la lá por que, alguém resolveu botar um DVD da Ivete pra acalmar o povo, enquanto o Saad não acabava de cobrar a fatura. Viva a Ivete Sangalo!
Para a turma da "Epoca", Ali Kamel é o "nosso guia"
Em 2006, a direção da TV Globo organizou um abaixo-assinado, para que os jornalistas defendessem a cobertura feita pela emissora durante a eleição. A cobertura tinha sido criticada publicamente, em matérias de Bia Barbosa, na "Carta Maior", e em duas reportagens históricas de Raimundo Pereira, na "Carta Capital ". Recusei-me a assinar o manifesto. Não me considero melhor do que ninguém. Mas me constrange a capacidade de subserviência de alguns jornalistas. Penso em tudo isso ao ver a lista com "Os Cem Brasileiros Mais Influentes de 2009", feita pela revista "Epoca". Advinhem que está na lista? Ali Kamel! O jornalista, não o ator. Ali aparece no quesito "guias e pensadores". Imagino o Ali enviando à revista uma "pequena sugestão ", para ser inlcuido entre os "pensadores". Ele não tem vergonha. Isso ajuda a subir na vida.
Essa NÃO é uma campanha para cancelar a "Folha"
A "Folha" não gosta de "banner" na internet que peça cancelamento de assinaturas do jornal. O diário da família Frias tentou até intimidar um blogueiro que publicou esses "banners". Mas a "Folha" gosta de ficha falsa na primeira página. Ah, ficha falsa pode!! Então, o povo da internet resolveu bolar um "banner" novo, aproveitando a ficha falsa (veja, acima). Foi produzido pelo site "Abundacanalha". Esse "banner" a "Folha" não vai querer censurar, tenho certeza. A não ser que a "Folha" queira retornar aos velhos tempos... Nesse caso, já há outros "banners" em circulação por aí, a lembrar que a "Folha" apoiou a ditadura. Gostaria de esclarecer que essa NÃO é uma campanha pelo cancelamento de assinaturas do jornal. Aqui, queremos - apenas - "cancelar" documentos falsos... A autenticidade do "banner" acima não pode ser confirmada, mas também não pode ser descartada.
Cancelamento de assinaturas preocupa "Folha"
"Cancelamento de assinaturas preocupa UOL e Folha": esse é o título do texto de Marco Aurélio Weissheimer, no RS Urgente. Seria essa a explicação para a tentativa do jornal de intimidar o blogueiro Antônio Arles. Ele foi obrigado a retirar do ar campanha que pedia o cancelamento de assinaturas do jornal e do UOL. A seguir, trecho do texto do RS Urgente: "O blog Arlesophia informa que recebeu hoje uma notificação extrajudicial de um escritório de advocacia representando o jornal Folha de São Paulo para que retirasse do ar os selos da campanha #CancelandoFOLHA e #CancelandoUOL,sob pena de processo por uso indevido das marcas. Pelo visto, os cancelamentos de assinaturas da Folha e do UOL começam a incomodar o grupo Frias. O blog do Mello relata por que cancelou sua assinatura do UOL. Aqui em casa, fizemos o mesmo. A razão: uso indevido da inteligência do assinante."
Ato contra a "Folha" em SP: cautela com os provocadores
O Eduardo Guimarães, do blog "Cidadania", dirige também o MSM - "Movimento dos Sem-Mídia". Conheci o Eduardo pessoalmente há alguns meses. Sei que é um sujeito sério, idealista, que briga pelo que acredita. O Eduardo e o MSM convocam para o próximo sábado, pela manhã, um protesto em frente à "Folha", para manifestar o repúdio ao artigo lamentável de "Cesinha" Benjamin. Refleti e conclui que a manifestação talvez não seja a melhor forma de manifestar nosso repúdio. Por dois motivos. 1) Acho que não devemos levar a "Folha" mais a sério. 2)2) Às vésperas de uma campanha eleitoral que deve ser a mais suja da história (o próprio artigo do pequeno "Cesinha" mostra isso), não me surpreenderia se alguém aprontasse alguma provocação. Não custa nada um "provocador infiltrado" lançar - por exemplo - uma pedra contra a "Folha", o que transformaria o jornal em vítima da "esquerda". De toda forma, desejo sorte (e cautela) à turma que for.
Esgoto corre no jornal dos Frias: é 2010, estúpido!
A "Folha" levou 18 anos para publicar a história sobre o filho que FHC teve com uma jornalista da Globo, enquanto estava casado com Dona Ruth. O Cesar Benjamim (foto), ex-militante petista, levou 15 anos para "lembrar" de uma história que teria ouvido de Lula: em 1994, o então candidato a presidente pelo PT teria contado que ele (Lula) tentou molestar sexualmente um colega de cela quando esteve preso em 1980. O que os dois fatos têm em comum? Tudo a ver. Por coincidência, o artigo em que "Cesinha" (agora compreendo o diminutivo que ele carrega há tanto tempo no nome) conta essa história sobre Lula foi publicado (advinhem?) justamente na "Folha". Ao chamar Lula de "molestador sexual", usando (corajosamente, característica dos Frias) um terceiro pra fazer o ataque, a "Folha" não pode ser acusada de "parcialidade", afinal publicou também a informação sobre o tucano. Ah, a campanha de 2010 será linda...
Aliado da Globo é o campeão das vaias na Confecom
Passei o fim-de-semana na Assembléia Legislativa de São Paulo, a acompanhar a etapa paulista da Conferência de Comunicação (Confecom). Foi um processo ríquissimo. Lá não estavam só jornalistas e empresários de comunicação. Não. Parece que a sociedade brasileira (ou, ao menos, seus setores mais organizados) despertaram para um fato: a comunicação é assunto importante demais para ser deixado nas mãos (apenas) dos jornalistas. Ainda bem. Concluídos os debates sobre Comunicação, na sessão de encerramento da etapa paulista, foram apresentadas várias moções (de apoio ou repúdio), sobre temas variados. Mas, advinhem qual moção teve mais apoio? A que condenava o governador José Serra por não ter convocado a etapa paulista da Conferência. Serra foi o campeão da vaia. Aliado da grande mídia, fingiu-se de morto. A Assembléia Legislativa de SP é que teve de convocar a Conferência paulista.
Vox Populi - sites e blogs superam revistas e jornais
O blog do Renato Rovai publica pesquisa que mostra por que a internet apavora os tucanos, a Folha, a Globo... Confiram - "Pesquisa encomendada pelo Grupo Máquina ao Vox Populi que ouviu 2,5 mil pessoas e teve seu resultado publicado no Meio Mensagem desta semana reforça a tese insistentemente defendida aqui. O levantamento mostra que a principal fonte de informação do brasileiro ainda é a TV com 55,9% da preferência dos entrevistados, mas o segundo já são os sites de notícias e blogues, com 20,4%, um resultado fantástico para um tipo de comunicação que ainda não chegou à adolescência. E mais fantástico ainda porque é o dobro do público que se informa por jornais impressos, preferidos de 10,5%. E quase três vezes mais do que o rádio, com 7,8%. As redes sociais já contam 2,7% da preferência dos pesquisados como fonte primeira de informação."
Marco Aurélio e os tortuosos caminhos da ficção
Marco Aurélio Mello, que eu conheci como um esforçado meio-campista lá pelos idos de 1980, na velha cancha do Ipê Clube, em São Paulo... Marco Aurélio Mello, que eu reencontrei como um competente e bem-humorado (qualidades raras de se reunir num só jornalista) editor de texto, no fim da década passada... Marco Aurélio Mello, que eu vi comer o pão que o diabo amassou em 2007, reerguendo-se depois com coragem e (de novo) bom-humor... Pois bem, o Marco Aurélio (foto) deu agora para virar ficcionista. Acaba de publicar em seu blog mais um capítulo de obra puramente ficcional - que lembra os velhos folhetins nacionais. Ele escreve de forma tão natural que, muitas vezes, faz-me lembrar de episódios que eu mesmo vivi quando trabalhei (com o Aurélio) na TV Globo. Ou será tudo ficção? Já não sei. Mas o Aurélio sabe.
Crise do jornalismo: as alternativas na Itália e na França
A leitora Marúcia Cabral envia-me um texto interessante, sobre o lançamento de jornal, na Itália, subvencionado pelos próprios leitores. Chegou às bancas já com 30 mil assinantes. No Brasil, talvez, seja difícil lançar um jornal desses, em papel. A distribuição é controlada por uma única empresa - ligada ao grupo Abril. Mas por que não conseguimos fazer algo parecido na internet? Aliás, acabo de ler no portal "Terra" a declaração de um jornalista francês, que participa de um debate sobre internet em São Paulo. Pierre Haski, editor-chefe do site Rue89.com, afirmou: "há uma crise moral no jornalismo". O Rue89 é um bom exemplo de alternativas possíveis: foi criado por profissionais que saíram da grande mídia - inconformados com a falta de espaço (também na França) para fazer jornalismo de verdade.
A mídia em debate: Herzog e as palestras em Brasilia
A semana começou agitada para este escrevinhador. Na segunda-feira, subi ao palco do TUCA (histórico teatro paulistano) para receber - ao lado de valorosa equipe do Jornal da Record - menção honrosa, no prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos. A menção foi por duas reportagens especiais, sobre os "30 anos da Anistia" no Brasil. Foi por isso que, ao agradecer a menção honrosa, fiz questão de lembrar: "receber um prêmio como este, por uma materia que lembra os 30 anos da anistia, tem um sabor especial neste ano, em que um importante jornal de São Paulo chamou a ditadura de ditabranda". Quarta, acompanhei a visita de Lula aos estúdios da Record, no Rio. E, nesta quinta à noite já estarei em Brasília, para participar de um debate sobre a chamada "blogosfera".

 

Escrevinhador por Rodrigo Vianna