Dia desses, eu escrevi aqui que a oposição cerrada a Lula (e a Dilma) não vem dos grandes capitalistas. Na década de 80, no PT, o grande debate era: como atrair a “classe média” e os pequenos empresários para a coligação de esquerda. Em 89, essa aliança não ocorreu. O grande empresariado também fugiu de Lula e do PT. Mario Amato, da FIESP, falava que milhares de empresários iriam embora do país se Lula ganhasse. O que levou alguns amigos gaiatos, da USP, a organizar uma grande festa entre o primeiro e segundo turno: foi o “bota-fora do Mario Amato”. Pensei em tudo isso ao ler o artigo de Emilio Odebrecht, que me foi enviado por uma boa amiga jornalista. Odebrecht expressa a perplexidade de um grande empresário diante de uma imprensa que caiu no gueto, que não gosta de Lula nem do Brasil. Cique em "Leia Mais" e confira o artigo de Odebrecht.
No início de 1954, Jango (que era, então, o Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas) propôs aumento de 100% para o salário mínimo.
A UDN (partido da direita, forte entre as classes médias no Rio e em São Paulo) se agitou. Os militares também se agitaram: como podia um operário ganhar tanto quanto um tenente? A pressão foi tanta que Jango perdeu o cargo. Alguns meses depois, sob acusações de todos os lados, Vargas perderia a vida, metendo uma bala no peito. A política de Lula é muito mais consistente do que a canetada de Jango. É consistente. Isso apavora a UDN e sua banda de música na Globo.
Não é só o despeito com o pobre que ganha mais. É todo um ideário liberal que afunda. Lula fez o que Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares pregaram durante anos e anos! Lula construiu um mercado interno de verdade.
A "Folha" ficou tão preocupada em acusar Lula de "molestador sexual" que, na última sexta, "esqueceu" de dar uma notícia importante: as propinas que teriam sido pagas a políticos do PSDB em São Paulo, pela Camargo Corrêa.
O "Estadão" deu a notícia antes da "Folha". Foi tudo investigado pela PF, na "Operação Castelo de Areia". Tanto "Folha" como "Estadão" esconderam o fato principal. Na planilha das propinas, aparece uma indicação importante: doações ao "Palácio Band".
Veja como o "Estadão" descreve o fato: "Em outro arquivo, página 18, valores ao lado da expressão "Palácio Band" - 4 anotações, entre 8 de fevereiro e 30 de setembro de 1996, somando US$ 45 mil, ou R$ 46.165. Na última planilha, página 54, na coluna "Diversos" constam nove registros, um assim descrito: "14 de setembro de 1998, campanha política, Aloísio Nunes, US$ 15.780."
"Palácio Band" vocês acham que é o que?
A sede do governo paulista fica no Palácio dos Bandeirantes. Lá, vive o chefe da imprensa paulista.
No governo Lula, existem alguns setores e algumas personalidades "marcadas para apanhar" da imprensa.
Exemplos:
- Marco Aurélio Garcia (assessor especial para assuntos internacionais) - odiado por não abrir mão de ser de esquerda, e de costurar acordos com governos progressistas na Amétrica Latina; e
- Marcio Pochmann (presidente do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) - odiado porque mudou a cara do IPEA (em vez de ceder salas do Instituto para que economistas liberalóides façam campanha contra o Estado e contra a Previdência Social, como ocorria, Pochman transformou o IPEA em ferramenta para o desenvolvimento). Pochmann (foto) mostra, mais uma vez, como as coisas mudaram no IPEA. O Instituto anuncia, para a semana que vem, um curso gratuito para formar e qualificar lideranças de movimentos sociais. Vai acontecer em São Paulo. Confira!
A pior forma de ilusão - pra qualquer pessoa - é brigar com os fatos.
Para um jornalista, então, brigar com os fatos é pecado mortal. Você pode ter sua opinião, pode interpretar, buscar conexões entre acontecimentos e atitudes. Mas não há desculpa para se postar contra os fatos. O fato é que nessa terça-feira o Brasil sofreu um "Apagão". Foi grave. Não adianta dizer (como vejo algumas pessoas dizendo em comentários, nos blogs) que a oposição está aproveitando para desgastar o governo. Isso é do jogo. Sobre o fato: ninguém controla a natureza, mas uma coisa precisa ser esclarecida - por que o país não tem um plano para evitar que uma falha no sul afete tão violentamente o Brasil todo? A oposição conseguirá desgastar o governo? Ou a tentativa fará o povo lembrar do "Apagão" tucano - um "apagão" de projetos e de idéias que lançou o Brasil nas sombras, sob FHC?
Em 98, a Miriam Leitão (aquela "comentarista de economia" que aterroriza as manhãs do Brasil) "garantia" que a paridade entre real e dólar seria mantida. A família Marinho acreditou, e por isso a Globo seguiu endividada em dólar. Quando FHC se reelegeu, a paridade foi pro vinagre. Quem devia 1 bilhão de dólares (=1 bilhão de reais), de repente passou a dever 3 vezes isso. A Globo quase quebrou. Porque acreditou na Miriam Leitão. Onze anos depois, a Miriam Leitão persiste nos erros. Só que agora, em vez de previsões otimistas, ela inverte os sinais. Claro, não são os tucanos que estão no poder. Ela aposta contra o Brasil, dá ouvidos para consultores que não acreditam no Brasil. Confiram, no texto de Augusto da Fonseca, no FBI: "Em 29/07/09, a pitonisa Míriam Leitão publicou em seu blog o post ´RC: Ibovespa com 45 mil pontos no fim do ano´.
RC não é o cantor Roberto Carlos mas sim a empresa de consultoria do Paulo Rabello de Castro. A RC tem apenas quatro meses para fazer o Indice Bovespa cair aos 45 mil pontos: é isso ou o descrédito!"
Lula mostrou estatura de estadista no discurso de segunda-feira, no lançamento do pré-sal. Mostrou à nação o que está em jogo hoje no Brasil. Lula colou na testa dos tucanos o rótulo de "adoradores do mercado". Lembrou que eles queriam "desmontar a Petrobrás". E ainda há quem defenda a tese esdrúxula de que "não há diferença entre Lula e FHC". Se os tucanos tivessem ganho em 2002, provavelmente a festa do pré-sal seria no Texas, ou em Cingapura - na sede da empresa que teria assumido o controle da Petrobrax.
Os tempos do "pensamento subalterno", os tempos de tirar os sapatos para os Estados Unidos, esses ficaram pra trás. Vejam como Lula - no discurso histórico - se refere àqueles tempos que não voltam mais: "Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa."
Everardo Maciel foi secretário da Receita de Fernando Henrique Cardoso por oito anos. Só que ele não fuma maconha estragada. E, por isso, é capaz de qualificar o caso Dilma/Lina como ele realmente é: "uma farsa, um factóide". Everardo deu essa declaração em entrevista a Bob Fernandes, no Terra Magazine. E agora? A imprensa serrista é mais realista que o rei. Até o cara que comandou a Receita na época dos tucanos acha que a mídia está forçando a barra. O Suplicy vai mostrar cartão vermelho pra "Folha"? Ou a maconha estragada do Suplicy só funciona quando é para aparecer nos jornais? Vejam só um trecho da fala de Everardo, sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC: "É farsa, factóide... a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano."
Um bom amigo carioca, quando quer se referir a gente pouco confiável, costuma dizer: "esse aí é mais falso que nota de três". Lembro-me da frase quando penso em Itamar Franco e FHC. Durante algum tempo, FHC fingiu ser amigo de Itamar. Mas, nos bastidores, espalhava que Itamar era um paspalhão, um bobo da corte. Em tempo: foi Itamar - como presidente da República - quem transformou FHC em Ministro da Fazenda. Foi Itamar quem "inventou" a candidatura de FHC à Presidência da República. Em relação a FHC, Itamar bem que poderia usar outra expressão: "esse aí é mais falso que assinatura em nota de real". O leitor Jorge Albino envia-me a entrevista em que Itamar acusa Fernando Henrique de ter assinado as cédulas de real (logo após o lançamento da moeda, em 1994), mesmo depois de já ter deixado o cargo de Ministro da Fazenda. A entrevista foi ao "Jornal do Brasil", no ano passado.
O Financial Times não é propriamente um jornal de esquerda. Não está a serviço do "lulo-petismo". O Financial Times faz aquilo que nossa imprensa não faz: mostra o que significa a CPI da Petrobrás. Em reportagem de Don Philips, escrita de São Paulo, o velho jornal britânico conta a história toda. Mostra como a CPI está ligada às denúncias no Senado (denúncas capitaneadas pelo 'Estadão"). E mostra como a CPI põe em risco o "boom" da economia brasileira. Aliás, o titulo da reportagem é justamente esse: "Petrobras case threatens Brazil’s boom" (Caso Petrobrás ameaça boom do Brasil"). O mais divertido é ver o conservador Financial Times chamar o "Estadão" de conservador. Para os britânicos, conservador não é xingamento. Aqui no Brasil, ninguém (fora a TFP) assume que é conservador. Os tucanos e o Estadão estão onde sempre estiveram: ontem, queriam desmontar a Petrobrás, privatizar o "paquiderme"; hoje, querem acabar com ela.
Augusto da Fonseca - no site FBI (Festival de Besteiras da Imprensa) - mostra como a "notícia" sobre carga tributária, no portal da Globo, carrega pressupostos ideológicos, além de esconder informações importantes. "A manipulação da matéria se dá em dois aspectos: 1) no tom ideológico, com peso negativo exclusivamente em cima do Governo Federal, inclusive ao comparar com outros países, como o Japão e os EUA; comparação essa absurda, já que os gastos públicos dos EUA, em saúde, não são universais como o SUS, no Brasil, como exemplo; 2. ao esconder a informação de que o crescimento do total de impostos estaduais e municipais foi bem maior do que o crescimento dos impostos federais.
Acompanhei - em São Paulo - a posse do novo presidente da Nossa Caixa, Demian Fiocca. Foi uma solenidade importante, porque mostrou que os bancos públicos têm um papel central na estratégia do governo brasileiro para combater a crise econômica. Demian (foto) já presidiu o BNDES. É um caso raro: um economista de 40 e poucos anos, formado em São Paulo, com experiência no "mercado", mas que não pensa com a cabeça dos "mercadistas". Os tucanos abriram mão de ter um banco em São Paulo. E administravam a Nossa Caixa com certa leniência. Nem estou falando dos escândalos - http://www.viomundo.com.br/apoiamos/a-cpi-que-nunca-foi/. Falo da (falta de) gestão.
Em texto publicado pelo site Carta Maior, Michael R. Kratke, professor da Universidade de Amsterdã, analisa as estratégias dos BRICs, em meio à crise capitalista: "Brasil, Russia, Índia e China representam quase 46% da população mundial, e são potências econômicas de nível mundial como exportadoras de matérias primas e produtos agrícolas, como oficina do mundo, fábrica de idéias e centro de prestação de serviços.(...). Já antes de sua cúpula, vêm advogando pelo fim do regime do dólar e por uma nova divisa mundial. Os bancos centrais desses países que experimentaram, nas últimas quatro semanas, um aumento de 60 bilhões em suas reservas de dólares, estão decididos a fragmentar e a diversificar."
Eles não cansam de errar. Os bancos e agências de classificação de risco passaram anos dizendo o que países como o Brasil deviam fazer: menos Estado, desregulamentação, menos direitos trabalhistas, liberalismo total. Passaram anos dizendo que o Brasil precisava "fazer a lição de casa". Veio a crise e ficou claro: eles é que não cuidavam da própria casa. Não ficaram satisfeitos com o vexame. Em março, o Morgan Stanley lançou uma previsão sombria para a economia brasileira: o nosso PIB iria recuar 4,5% em 2009. Agora, o Morgan reconhece o "pequeno" erro. O PIB brasileiro vai cair "só" 1%. É o que eles dizem agora. Que contas são essas? Quem ainda acredita nessa gente?
O site Cloaca News tira mais um esqueleto do armário. Velhas declarações tucanas mostram que tipo de projeto move a oposição em seu ímpeto de "fiscalizar" a Petrobrás. Em 1998, o então poderoso Ministro Sergio Motta (já falecido) dizia que o objetivo do PSDB era desmontar o "paquiderme", "osso por osso". Não chega a surpreender. Mas é importante que o país entenda quais são os projetos em disputa na tal CPI da Petrobrás. Vejam a noticia, de 1998, publicada pelo "O Globo": "O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, disse ontem que a Petrobras é "um dos últimos esqueletos da República" e que o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, terá de desmontá-la "osso por osso".
Há algumas semanas, publiquei aqui um artigo do jornalista Beto Almeida, propondo que as reuniões do COPOM sejam televisionadas. Agora é José Paulo Kupfer quem analisa (de forma bem-humorada) as tais reuniões. Kupfer interpreta a última ata do COPOM - escrita numa língua que lembra vagamente o português... O texto foi publicado pelo Nassif: “A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, como se diria em coponês, superou as expectativas do contexto comunicativo anteriormente registrado, abrindo perspectivas relativamente ainda mais complexas do que as localizadas na mediana das atas publicadas para o entendimento de seus propósitos.“
Recebo de Estanislau Maria, assessor de imprensa do IPEA, a mensagem a seguir: "Na segunda-feira 13 de abril, o Estadão publicou o editorial "A Politização do Ipea", acusando estudos recentes do Ipea de não serem técnicos, mas políticos. Não é o primeiro desde que a nova diretoria assumiu. Tentei por todos os caminhos o espaço de um artigo na página 2 para esclarecer o assunto, já que num período de dez dias, houve um colunista do jornal desqualificando os estudos em sua coluna, uma nota no mesmo tom na coluna da Sonia Racy e o editorial. O jornal negou o espaço." Clique em "leia mais" para ver a resposta do IPEA, que o "Estadão" não quis publicar.
A Bolsa de Valores de São Paulo deu um salto impressionante na última segunda: alta de 6,5 %. Outro dado importante: o saldo da balança comercial chegou a quase 4 bilhões de dólares em abril. Isso quer dizer que, no mês passado, o Brasil exportou muito mais do que importou, afastando o risco de uma crise em nossas contas externas. Até porque abril foi o terceiro mês seguido de saldo positivo. É por isso que o Augusto da Fonseca escreveu em seu (ótimo) blog FBI: "Pessoal, não sei não mas parece que a MAROLINHA do Lula se consolida a cada dia que passa... Isso contra todas as previsões pessimistas - e sem fundamentação em muitos casos - de praticamente toda a imprensa brasileira."
Recebo pela internet um belo artigo de Luiz Carlos Bresser Pereira, intitulado "O fim da era Thatcher". Ele mostra que a experiência neoliberal, iniciada pela "Dama de Ferro", na Inglaterra, há exatos trinta anos, "fracassou sob todos os ângulos, (...) a renda concentrou-se em toda parte, a instabilidade econômica aumentou, e agora essa experiência termina de forma inglória, com a crise global". Um dia antes, a "Folha" trouxe reportagem especial sobre o tema. E o curioso: o tom da matéria era o oposto do artigo de Bresser. Vejam o título: "Thatcherismo resiste à crise que fomentou".
A "Folha" tem saudade do neoliberalismo. Clique em "leia mais" para ver o artigo de Bresser, na íntegra.